5# COMPORTAMENTO 22.1.14

     5#1 ROLEZINHO: VIOLNCIA E PRECONCEITO
     5#2 O INFERNO DO CARDEAL... E A FAXINA DO VATICANO
     5#3 OS CUIDADOS COM O INTERCMBIO INFANTIL

5#1 ROLEZINHO: VIOLNCIA E PRECONCEITO
Encontros de jovens que comearam nos shoppings da periferia de So Paulo se espalharam pelo Pas e ganharam tons de protesto por causa da reao desproporcional da polcia e da Justia
Raul Montenegro

No dia 13 de junho do ano passado, a reao exagerada da Polcia Militar a manifestaes que pediam a reduo das tarifas do transporte pblico em So Paulo serviu de estopim para que centenas de milhares de pessoas sassem s ruas em todo o Pas. A atual truculncia policial na represso aos rolezinhos  encontros que  jovens funkeiros promovem para se divertir em shoppings e que, algumas vezes, acabaram em tumulto e assaltos  pode levar a uma repetio desse cenrio. Com a deciso liminar que alguns estabelecimentos conseguiram na Justia para barrar esses eventos, multiplicaram-se na internet convocaes para rolezinhos de protesto contrrios  segregao e  discriminao contra os pobres em diversas capitais, entre elas Braslia, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife. Essas convocatrias preocupam as autoridades, que temem que o movimento represente uma continuao da onda de passeatas de 2013. Na tera-feira 14, a presidente Dilma Rousseff fez uma reunio de emergncia por temer que os blackblocs ou o crime organizado se apropriem dos rolezinhos para criar confuso. Em So Paulo, o prefeito Fernando Haddad disse que quer dialogar com os organizadores para que os eventos sejam feitos em locais pblicos em vez de shoppings.

TURMA - Jovens como Deivid ( frente, de azul) fizeram fama na internet e foram precursores dos rolezinhos, como o que aconteceu na praa de alimentao do Mau Plaza Shopping, na Grande So Paulo, no dia 4 de janeiro

O caso mais emblemtico de violncia aconteceu no sbado 11, no Shopping Itaquera, zona leste de So Paulo, quando as lentes da imprensa captaram a PM usando cassetetes contra jovens em uma escada rolante. Apesar de alguns participantes terem sido presos por suspeita de roubo, a maioria deles afirma que estava no local apenas para se divertir. Mas esse no foi o primeiro episdio de confuso. Os rolezinhos comearam a ganhar maior notoriedade em dezembro, quando frequentadores de centros comerciais, como o prprio Itaquera e o Internacional de Guarulhos, se assustaram com grupos de adolescentes correndo, gritando e cantando msicas de funk ostentao, a trilha sonora da maioria dos encontros. Depois disso, estabelecimentos conseguiram decises judiciais proibindo a entrada de menores desacompanhados.

Apesar de no mirar diretamente nos funkeiros, as liminares inviabilizaram os rols e levantaram crticas sobre a garantia de ir e vir dos jovens. Alm disso, carregam enorme dose de preconceito, pois, na prtica, visam a impedir a entrada de adolescentes da periferia. provvel que a deciso seja derrubada, porque, para limitar o direito de algum, voc tem que ter uma justificativa muito forte, diz a professora de direito constitucional Tnia Rangel, da Fundao Getulio Vargas do Rio de Janeiro. Para ela, pode-se aumentar a segurana para evitar ameaas a pessoas e patrimnios, garantindo os direitos dos shoppings sem ferir garantias da juventude. Outro problema, segundo a professora,  a dificuldade em personalizar responsveis, j que organizadores no tm de responder pelos atos de quem comparece, e o fato de a Justia brasileira beneficiar, em muitos casos, os mais ricos. Nos rolezinhos veio um pouco  tona essa questo preconceituosa. A liminar foi vista como uma deciso que mantm o racismo, diz ela. O antroplogo Alexandre Barbosa Pereira, da Universidade Federal de So Paulo (Unifesp), considera que a reao foi exagerada e potencializou a repercusso do caso. A represso da polcia e o modo equivocado como os shoppings lidaram com a questo deram essa visibilidade aos rols, afirma. At a Anistia Internacional pediu explicaes para o que considerou uma discriminao desnecessria e preconceituosa e os rolezinhos ganharam destaque no Exterior.

Em meio aos encontros de centenas de jovens com msica, diverso e paquera, vndalos se infiltram para roubar e depredar

Os rolezinhos surgiram juntando caractersticas de bailes funk, que h anos acontecem nos bairros pobres da cidade, com encontros nos quais adolescentes conhecem dolos das redes sociais. Esses famosinhos so jovens, tambm da periferia, que fazem sucesso com meninas na internet. Deivid Santana e Vinicius Andrade, de 18 e 17 anos, que juntos contam com 140 mil seguidores no Facebook, comearam a organizar encontros de fs porque no conseguiam atender todas as garotas que pediam para conhec-los. Quando as ruas do Capo Redondo, onde moram, ficaram pequenas para receber tantas admiradoras, mudaram o endereo do evento. Passamos a chamar de rolezinho e organizamos no shopping Campo Limpo, onde todo mundo vai, diz Deivid. Por que eles so famosos?  a loucura dos vdeos que a gente faz. A maioria desses boyzinhos so quietes, caretas. Ns da favela j nascemos animados, afirma Vinicius. Nos encontros, os dois ganham presentes como chocolates, ursos de pelcia e roupas de marca. Antes deles, porm, bailes na rua ou em locais fechados chamados de fluxos ou pancades de funk j mobilizavam milhares de jovens nos bairros pobres das capitais. Um deles, hoje chamado tambm de rolezinho, acontece quase todo fim de semana no Bairro dos Pimentas, em Guarulhos. Um dos frequentadores, Daniel, 17 anos, conta que longe das reas nobres confuses com a polcia so regra, no exceo. No ltimo encontro, como sempre, os vizinhos chamaram a polcia por causa da msica alta. Ele e outros participantes disseram  ISTO que a PM chegou ao local atirando bombas e disparando balas de borracha na multido, mas a corporao afirmou que no existem registros de interveno em que tenha sido necessrio o uso desses equipamentos na regio. Essa tenso que a gente v nos shoppings j acontecia nos pancades. E como a periferia  heterognea, dentro das prprias classes populares j existia um conflito com o funk ostentao, diz o antroplogo Pereira, da Unifesp.

Apesar de terem semelhanas com fluxos, os rolezinhos nos shoppings passaram a ser vistos pelos mais novos como alternativa  confuso dos bailes. A gente precisa ter mais lugar para ir. Pancado tem de segunda a segunda, mas no um local para passar a tarde e sua me ficar de boa, diz Beatriz, 13 anos. Jefferson Luis, organizador de um dos primeiros rols que acabaram com a presena da polcia, em Guarulhos, tambm reclama da falta de espaos pblicos e atividades. Fora o shopping, aqui a nica coisa que posso fazer  jogar bola, empinar pipa e ficar no Facebook. Todo mundo precisa se divertir.  fcil proibir e criticar o funk. Difcil  instruir e fazer um centro cultural para ensinar msica para os jovens, afirma. Esses frequentadores costumam rechaar correrias que assustam outros clientes. Jefferson culpa aqueles que puxam bonde  correndo e berrando letras de funk nos corredores  pela confuso que marcou seu evento. No tenho nada a ver com quem foi para fazer baderna, afirma. Ele foi detido mesmo sem registro de crimes. Os prprios participantes dos rolezinhos em So Paulo, porm, reconhecem que, s vezes, arrastes acontecem. No Itaquera muita gente roubou. Eles querem tnis de mil reais.  uma minoria, mas quando quatro ou cinco assaltam outros querem fazer a mesma coisa e voltar com uma roupa nova pra casa, diz Augusto Gondim, 16 anos, organizador de um rolezinho programado no shopping Tatuap.

BARRADOS - Cartaz no shopping JK Iguatemi informa que Justia proibiu eventos de adolescentes no estabelecimento

Os rolezinhos no so um movimento organizado no sentido de fazer reivindicaes. Os prprios jovens negam existir motivao poltica por trs dos encontros. O objetivo principal dos rolezinhos  fazer novas amizades, curtir e se divertir. E a gente tambm pega bastante menina, diz Augusto. Apesar disso, esto ganhando contornos polticos. Eventos que surgem com ares de protesto em todo o Brasil sugerem que os rolezinhos esto incendiando um debate que j existia no Pas. Em convites feitos pelas redes sociais, muitas vezes por pessoas da classe mdia, a descrio dos encontros fala que eles so organizados em apoio aos rols paulistas e em protesto contra a discriminao e a segregao. Sempre tem uma tendncia de setores mais privilegiados para tentar interpretar, mas jovens no querem ser vistos como heris, vtimas nem bandidos, eles querem ser protagonistas, afirma o antroplogo Pereira.Os protestos convocados para os prximos dias, porm, podem no crescer como os do ano passado, porque muitos dos jovens da periferia devem faltar aos eventos por medo da represso policial.  melhor evitar ou fazer encontros com poucas pessoas, afirma a adolescente Beatriz.

Jefferson Luis, organizador de um dos primeiros rols no shopping de Guarulhos: a polcia foi acionada

As aspiraes dessa juventude aparecem nas letras de funk ostentao que embalam os rolezinhos. As canes  que falam de dinheiro, carros e mulheres  mostram um desejo de insero dos jovens pobres no mercado de consumo. No  de hoje que eles esto usando marcas. Os jovens da classe C so maioria entre os frequentadores de shoppings. Nos rolezinhos, eles s foram nos estabelecimentos que esto acostumados a ir, afirma Renato Meirelles, do Data Popular, instituto que pesquisa as classes baixas no Pas. Ele diz ainda que os produtos que os adolescentes querem ostentar muitas vezes foram comprados nos prprios locais que eles esto sendo proibidos de frequentar. Os shoppings esto muito preocupados com o consumidor do passado e no esto vendo o do futuro. Eles vo perder muito dinheiro caso no enxerguem isso, diz. Os jovens da classe C movimentam R$ 130 bilhes por ano, segundo o Data Popular. Jefferson, que vive numa casa de um nico cmodo com o restante de sua famlia, diz que todo mundo quer ter um carro ou uma casa legal, mas que a maioria dos MCs no vive a ostentao.  sonho, eles querem ter isso um dia, diz. Uma de suas letras  reveladora nesse sentido: No  o certo dizer em letras que eu vivo ostentando/ que ando de Hornet, i30, Camaro branco/ e a minha favela cada dia piorando [...] No t dizendo que eu quero ostentar/  que enquanto eu ostento, poucos tm casa pra morar.


5#2 O INFERNO DO CARDEAL... E A FAXINA DO VATICANO
Francisco no poupa ningum na sua cruzada moralizadora e elimina grandes estrelas da Cria, fecha o cerco aos padres pedfilos e tira o brasileiro dom Odilo Scherer de comisso para sanear o Banco Vaticano

Se ainda restava alguma dvida sobre o mpeto reformador do papa Francisco, essa dvida se dissipou por completo na semana passada. Em um intervalo de cinco dias, o sumo pontfice deu incio a uma verdadeira faxina ao tomar trs grandes medidas que aceleram as mudanas que tiveram incio em 2013. No dia 12, o jesuta anunciou 19 novos cardeais cujos perfis mostram clara ruptura na lgica eurocntrica que perdura desde os primrdios da Igreja Catlica. Trs dias depois, veio a pblico um comunicado seu informando que quatro dos cinco cardeais que compunham uma comisso criada por Bento XVI para colocar o problemtico Banco Vaticano nos eixos seriam trocados. E, enfim, no dia 16, um bispo e um arcebispo catlicos participaram, pela primeira vez na histria, de uma audincia com o Comit da Organizao das Naes Unidas (ONU) sobre os Direitos da Infncia. Interrogados duramente pelos membros do rgo, eles admitiram falhas no tratamento que a instituio tem dado aos abusos cometidos por padres contra crianas. H certas coisas que precisam ser feitas de maneira diferente, disse, resignado, o bispo Charles Scicluna, ex-promotor do Estado do Vaticano para casos dessa natureza.

PRETERIDO - Dom Odilo Scherer foi retirado, a pedido do papa, da comisso cardinalcia para superviso do Banco Vaticano

Embora as trs medidas tenham peso semelhante no universo de mudanas anunciadas por Francisco, a segunda, anunciada no dia 15, teve reverberaes mais expressivas no Brasil. Afinal, ningum menos que dom Odilo Pedro Scherer, cardeal-arcebispo metropolitano de So Paulo, 64 anos, est entre os quatro afastados da chamada Comisso Cardinalcia para a superviso do Instituto para as Obras de Religio (Banco Vaticano). Indicados para o cargo em 2009 pelo ento papa Bento XVI e confirmados na funo em um dos ltimos atos do alemo antes de sua sada do cargo, dom Odilo e os outros quatro cardeais da comisso deveriam permanecer em seus cargos at 2018. Francisco, porm, achou por bem substitu-los cinco anos antes da data estabelecida. Especula-se que, ao trocar os indicados de Bento XVI por aliados diretos, Francisco espera acelerar o processo de reforma dessa que  uma das mais escandalosas instituies da Santa S.

Nesse sentido, dom Odilo teria sido apenas engolido pela onda de trocas que vem sendo feita na hierarquia da Igreja Catlica pelo pontfice argentino. Paulatinamente, em seus esforos reformadores, Francisco estaria desfazendo a teia de poder que se consolidou durante o papado de Bento XVI. Teia, alis, da qual dom Odilo fez e faz parte e  profundo conhecedor. Foi durante o pontificado do alemo que o ento bispo dom Odilo se tornou cardeal, em 2007, e acumulou funes em nada menos do que seis instituies pontifcias, entre congregaes, comisses e conselhos. Tido como conservador e alinhado a Bento XVI, o brasileiro foi um dos fortes candidatos da situao durante o conclave que, at eleger Francisco, o colocou, nas mais tmidas das estimativas, entre os cinco cardeais mais votados para o cargo mximo dos catlicos. Com a eleio de Francisco, a oposio venceu e uma onda progressista tomou o Vaticano, o que, em anlises heterodoxas, poderia explicar, pelo menos em parte, o afastamento de dom Odilo da comisso para superviso do Banco Vaticano. Seria a primeira de muitas decises que podem continuar tirando de Roma um dos cardeais brasileiros mais prximos da Santa S.

PULSO FIRME - Francisco no completou nem um ano de pontificado e j promoveu mudanas drsticas na engrenagem da Igreja

Como se isso j no fosse problema suficiente para dom Odilo, ele tem, atualmente, uma questo espinhosa em seu prprio territrio, na arquidiocese de So Paulo. Jovens catlicos e pessoas ligadas a algumas universidades paulistas descontentes com o modo autoritrio de o cardeal administrar a Cria preparam um protesto para 25 de janeiro, aniversrio de So Paulo. Contrariado, principalmente, pelo silncio do religioso diante de repetidos pedidos por explicaes para as transferncias de procos da regio do Ipiranga, na zona sul da capital paulista, o grupo promete aparecer na Catedral da S no dia do aniversrio da cidade empunhando cartazes e usando nariz de palhao para pedir uma audincia. No iremos intervir na cerimnia, mas precisamos ser ouvidos e, mais que isso, receber explicaes, diz um dos organizadores do protesto, que prefere no se identificar. Segundo ele, os caminhos usuais para contato com o cardeal no tm surtido efeito.

PELOTO - Mary Glendon (acima), da Universidade Harvard, vai esmiuar o IOR, enquanto o bispo Charles Scicluna (abaixo), ex-promotor do Vaticano para casos de pedofilia, trabalha para coibir novos casos desse tipo

Ainda que dom Odilo tenha perdido o cargo na comisso para superviso do Banco Vaticano e viva um perodo pouco tranquilo na arquidiocese que lidera, restam-lhe, ainda, muito poder e influncia. Dedicado e trabalhador, de formao impecvel e, em ltima instncia, fiel ao papa, seja ele quem for, dom Odilo tem mais chances de se adaptar aos novos tempos da Igreja sob Francisco do que perder o prestgio e poder que tem. Coisa que no deve acontecer com figuras como o polmico cardeal Tarcisio Bertone, por exemplo, ex-secretrio de Estado e piv de vrios escndalos da Cria Romana, e seus aliados. Nas reunies pr-conclave, em que os cardeais se encontraram para discutir quais rumos o novo papa deveria dar  Igreja, ficou clara a necessidade de reformas, principalmente na Cria Romana. Francisco est fazendo justamente isso. S parece ter preferido comear com uma faxina geral.


5#3 OS CUIDADOS COM O INTERCMBIO INFANTIL
Cada vez mais crianas viajam sem os pais ao Exterior para estudar e especialistas alertam sobre os riscos de problemas emocionais que podem surgir dessa experincia
Camila Brandalise

Com apenas 5 anos, Arthur Ribeiro Athayde j tem uma grande experincia internacional no currculo. No dia 3 de janeiro, ele embarcou para a cidade de Ocoee, na Flrida, Estados Unidos, onde passar o ms estudando em uma escola pblica americana e fazendo atividades culturais no pas com um grupo formado por professores e colegas da escola de ingls Dice, do Rio de Janeiro. Tudo isso sem a presena dos pais. Por mais estranho que soe para o padro das famlias brasileiras, acostumadas a manter os filhos sob as asas durante a infncia, mandar crianas sozinhas para uma experincia de intercmbio no Exterior est se tornando uma opo para alguns pais. Nos ltimos cinco anos, a procura por programas para jovens a partir dos 8 anos cresceu 25%, segundo o STB, empresa do setor. At pouco tempo atrs, essa procura no existia. Acredito que as crianas tm mais acesso  informao hoje e parecem estar mais inteiradas dessa possibilidade, afirma Fabiana Fernandes, porta-voz da CI, que tambm promove essas viagens. Para a me de Arthur, a servidora pblica Adriana Amorin Ribeiro, 41 anos, a viagem  uma oportunidade de o filho adquirir cedo a fluncia no segundo idioma.  uma oportunidade que eu no tive e queria que ele tivesse. Nenhum curso no Brasil pode substituir essa experincia, afirma. Mas, ainda que essa prtica tenha pontos positivos (leia mais  dir.), especialistas alertam para os cuidados necessrios ao decidir a hora de deixar uma criana viajar sozinha para um lugar to distante da segurana de casa.

AMIZADE - Thiago de Carvalho (ao centro, de camiseta verde), 10 anos, com colegas americanos durante programa de intercmbio nos Estados Unidos

Segundo a psicanalista e terapeuta infantil Anne Lise Silveira Scappaticci, a estruturao da personalidade da criana  baseada nas experincias concretas. Por isso,  imprescindvel ter uma figura importante e conhecida por perto. A coordenadora pedaggica da Dice, Eloisa Le Maitre de Oliveira Lima, salienta que s viaja com alunos com quem tem contato h pelo menos dois anos. A idade mnima para viajar  4 anos. A vantagem de comear cedo  que o aprendizado no tem impregnao cerebral, acontece antes de consolidar o sotaque do portugus, diz. Mas  preciso levar em conta as vrias situaes que envolvem ficar longe da famlia. A arquiteta Paula Garra, 38 anos, conta que quando a filha Ana Paula viajou para os Estados Unidos em 2013, aos 10 anos, chorou de saudade ao ligar para casa. Mas foi s uma vez. No geral, sentamos que ela estava feliz. No ltimo dia at perguntou se poderia ficar mais uma semana, diz Paula. A filha ficou trs semanas fora e viajou pela agncia FIT, de Belo Horizonte. Para a psicopedagoga Quezia Bombonatto, diretora da Associao Brasileira de Psicopedagogia, a idade mais indicada para viajar para o Exterior sozinho  de, no mnimo, 12 anos. A partir dessa faixa etria, a capacidade de abstrao  melhor e eles j tm mais senso crtico. Antes disso, ficam muito vulnerveis sem a presena de um adulto da famlia.

EXPERINCIA - Arthur Athayde durante aula em sua primeira viagem ao Exterior sozinho, aos 5 anos

Muitas das grandes empresas de intercmbio oferecem programas voltados para jovens a partir dos 8 anos. Nessa faixa etria, a maior demanda  por curso de ingls e atividades culturais, diz Marcia Mattos, gerente de cursos do STB. No geral, os alunos ficam hospedados dentro de universidades em poca de frias. H opes que podem ir de uma semana a um ms. Os preos variam de US$ 500 por semana a US$ 5 mil por trs semanas, e muitos pacotes incluem alimentao e diversas atividades. Em relao  durao da estadia, a psicanalista infantil Anne Lise Scappaticci afirma que o tempo, para as crianas, no tem uma medida padro. Portanto, dependendo do caso, 30 dias podem parecer uma eternidade. Outro ponto importante  os pais estarem seguros em relao  viagem. Caso contrrio,  melhor esperar. Foi o que fez a gerente administrativa Renata Prates Coutinho, 46 anos. O filho Thiago Prates de Carvalho, 10 anos, tambm est nos Estados Unidos com a turma da Dice. Ele entrou na escola quando tinha 1 ano e meio de idade. Meu marido j queria ter mandado para o intercmbio desde os 6 anos, eu  que no me sentia preparada para ficar longe dele, diz Renata. Thiago viajou com o irmo gmeo, Gabriel, mas os dois ficam em salas diferentes. No comeo, eles no gostaram porque iam perder as frias, j que l eles estudam. Mas sei que vale a pena, diz Renata.

VIAGEM - Grupo da escola de ingls Dice (acima), do Rio de Janeiro, que faz intercmbio na cidade de Ocoee, nos EUA; abaixo, Juliana Lafayette Pinto, 7 anos

